16 de novembro de 2009
5 de novembro de 2009
Qual a sua real concepão de mídia?

Você acredita na mídia? Você a julga imparcial? Você acha que a mídia não manipula? Bem, de imediato aposto que você pensou “Claro que não acredito, eu sei que a mídia mente, favorece e manipula até onde pode!”.
Pois é, muitas pessoas pensam que nem você (das que pensam o contrário eu só lamento). Mas se muitas pessoas pensam assim, porque então eu escuto direto frases como: “Mas eu vi no jornal tal!!” ou se não “saiu até na mídia!”.
E daí que você ouviu ou assistiu sobre tal assunto num jornal? Quem disse que só porque está na mídia é verídico ou de extrema importância? Você acha mesmo que todas as noticias, aquelas mesmo que passam por uma autorização de empresários (sim, afinal, o que são então os donos das emissoras?), são verdadeiras? Tem tanta coisa importante acontecendo neste exato momento, e só porque a mídia noticia as coisas que apenas ela quer que seja de conhecimento publico, as coisas importantes que não saíram no jornal perdem sua importância e o valor se ter conhecimento delas, assim, tão rápido?!
O grande problema é que nos julgamos tão espertos e sempre dizemos “não confio 100% na mídia!” mas às vezes nos pegamos falando aquelas coisas que citei acima. Você já parou para pensar o quão involuntário é este raciocínio de confirmação/aceitação de algo vindo das telinhas, impressos, rádios ou até mesmo internet?
É...Acho que antes de sair chutando o balde e dizendo que nada presta, que somos espertos de mais para cair na lábia “deles”, precisamos refletir, pelo menos um pouco, sobre qual é a nossa real concepção de mídia*.
*Devemos lembrar também que, quando bem usada, a mídia tem a capacidade de ser extremamente útil e benéfica para a sociedade.
Postado por Fábio Esteves às 2:13 PM 0 comentários
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27 de outubro de 2009
Um breve aviso
A fim de deixar o blog mais enxuto e objetivo, resolvi não criar mais posts de cunho pessoal; para isso criei outro blog, mas não irei sair divulgando por ai, quem tiver interesse em lê-lo é só entrar em contato que eu passo o nome.
Tenham um bom dia! =)
Postado por Fábio Esteves às 4:59 PM 0 comentários
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22 de outubro de 2009
A presença da mídia na formação de identidade do sujeito
O ser humano por si só já é um “elemento”, por assim dizer, facilmente modelável. Desde a pré-história o homem se deixa influenciar ou se não imita o próximo por se achar inferior ou para simplesmente ser igual.
Sabendo-se disso, e tendo conhecimento de que nos dias atuais a mídia esta ao alcance/presente 24h por dia, sete dias por semana, fica fácil responder à questão: a mídia contribui na formação da identidade cultural?
Claro que sim, é obvia a resposta.O sujeito, num processo de empatia com o que lhe agrada na mídia, acaba por construir ou até mesmo possuir traços identitarios presentes na mesma. Isto conscientemente. Inconscientemente estes traços também podem estar presentes, como exemplo: encarar a violência como algo banal e rotineiro. Assim as pessoas pensam, pois assim a mídia mostra.
É o processo “ignoratio elenchi”, fortemente colocado pela mídia, ou seja, “é assim mesmo, isso existe em todo lugar e é normal”, este é o pensamento que a mídia pode criar, afinal, na maioria dos casos, o que a mídia mostra é o que as pessoas pensam.
Esta é uma lógica perigosa pois pode levar ao conformismo social, a mídia tanto tem a capacidade de formar identidades individuais ou até mesmo destruí-las como também pode controlar/criar identidades de grupo, onde podem estar presentes ai aspectos como o já citado conformismo, assim como ignorância, inércia social entre outros.
Para terminar este breve texto e se ter uma maior compreensão do poder da mídia na formação da identidade, podemos exemplificar a relação que os brasileiros tem com a roubalheira presente dentro da política brasileira. O brasileiro encara rindo e fazendo piadas, pois é assim que a mídia mostra. Os escândalos políticos são apresentados ao povo (apenas para obter IBOPE) entretanto não são aprofundados ou acompanhados como deveriam ser. Acabam apenas virando pauta entre os chargistas e jornalistas satíricos.
Postado por Fábio Esteves às 10:15 AM 0 comentários
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9 de outubro de 2009
Os cajados e suas histórias
Hoje irei falar um pouco sobre peregrinos. Mais especificamente sobre os seus companheiros, os cajados. Questionei alguns peregrinos sobre a historia de seus cajados, como eles conseguiram e o que aconteceu com eles, e li algumas respostas interessantes. Compilei algumas e agora divido com vocês.
Criei um tópico em duas comunidades relacionadas à peregrinos (Caminho de Santiago) no orkut, com o simples texto “Conte-nos a história do seu cajado” e as respostas foram as mais diversificadas possíveis. Eis algumas (na íntegra):
Rád!o:
Peguei do chão, um galho grosso perfeito para andar... tamanho ótimo, resistiu o caminho todo até o litoral. Encontrei-o no meu segundo dia, entre Roncesvalles e Trinidad de Arre... lembro que estava chovendo e ele estava totalmente encharcado.
Deixei-o ao lado do mar em Muxía (no dia 08/08/08) e foi a despedida mais dura do caminho, acho. Um companheiro e tanto.
Fernando:
O meu eu ganhei de Pablito, figura carimbada do CSC, em Azqueta. É feito de avelana, uma madeira leve e muito resistente.
Paulo Roberto:
Passando pela vila deserta de Azqueta fui interceptado por um senhor (Pablito Calvo) que me avaliou com muita atenção, mirou o meu cajado, minha mochila e me pegando pela manga da camisa, me levou para o quintal de sua casa. Primeiro me mostrou diversos cajados preparados por ele com perfeição, e com uma autoridade secular; olhando nos meus olhos, disse:
- Tu não és um turista nem um andarilho, és um peregrino de verdade e tens um belo cajado, mas vejo que não foi produzido por mãos simples. Onde o compraste?
- Comprei em Saint-Jean, e ele tem uma ponta metálica que não me agrada, me passa agressividade e penso em tirá-la - comentei.
- Como vês, tenho cajados aqui até mais bonitos que o teu e poderia te dar um, mas tu não podes renegar agora o cajado que já te deu apoio por tantos quilômetros. Trocá-lo por um outro, porque é mais bonito, não seria justo.
Já estava a uma boa distância quando ele me gritou:
- Hei! peregrino!, não tire a proteção metálica da ponta de seu cajado - era um tom de vaticínio.
Foi uma caminhada dura, um trecho longo de muitos quilômetros descampados, sem sombra e sem água, cruzando plantações de cereais. Minha imaginação voava muito alto, estavam ali as flores, os pássaros, muitas músicas para cantar e um século para recordar. Depois de 30 dias caminhando comigo, me ajudando, sendo meu amigo, e só faltavam 6 dias para eu chegar, arranquei a ponta dele, e a partir daquele momento ele me abandonou.
Passei a esquê-lo em todos os lugares (coisa que jamais tinha acontecido), e voltava para pegá-lo. Até que compreendi, eu não o merecia mais, tinha-lhe arrancado a orgulhosa ponta metálica.
Alvaro Vicente:
o meu cajado foi comprado em Saint-Jean, escolhi um de acordo com a minha altura e peso, não descuidei dele em nenhum momento do caminho, estava tão confortavel com ele que chegando em um bosque perto de Azqueta tinham dois caminhos um que iria ate o Paplito e um outro, optei por não conhecer os seus famosos cajados...; de volta ao Brasil ele já foi até a Aparecida pelo "CF" e agora so falta o Caminho do Sol para completar a "Triplice Coroa" e a merecida aposentadoria...
Jorge Souza:
O meu, eu achei na saída de Pamplona. Fui decorando com penas e ervas e coisas achadas no caminho. Acho que tem um valor mágico isso, porque tem o registro da sua passagem: o pó do caminho, seu suór, lágrimas, sangue. O cajado é seu cúmplice onipresente no caminho.
Heitor:
O meu cajado, eu comprei em SJPP numa lojinha bem perto da ponte na entrada da cidade, entalhado nele uma vieira. Atualmente está guardado para ser colocado em uma moldura.
Emilio Francisco:
Quando fui fazer o Camiño, primeiro fui para a casa dos meus familiares, na Galicia, onde nasci, e um primo me deu a escolher entre vários cajados que tinha preparado, feitos da aveleira, a mais tradicional mente usada para isso, ao saber da minha intenção. Ao longo do caminho fui fazendo entalhes na casca, com a concha, a cruz, meu nome, e outras filigranas. Ficou de chamar a atenção e recebi inúmeros elogios pela minha "obra de arte". Ao fazer um descanso numa fonte, onde havia vários peregrinos também descansando, fui fazer xixi e deixei minha mochila e o cajado ao lado dela. Para minha surpresa, constatei ao voltar que alguém tinha se 'encantado com o cajado' e "levado" como lembrança. Só que não me avisou... Perguntei aos que estavam ainda ali, mas ninguém tinha reparado no "rapto". Me disseram que tinha parado um carro e que talvez tivessem sido eles quem o levaram. Do meu bastão ficaram apenas algumas tomadas de vídeo e a pena de perdê-lo, porque ia trazê-lo para o Brasil, de lembrança. Designios de Santiago... Ano que vem, quando volto ao Caminho, vou tomar mais cuidado.
Ana:
Os meus foram comprados e em dias diferentes. O primeiro foi em SJPP queria comprar um cajado de madeira pq gostava da ideia de caminhar com um mas a verdade é que pra mim não serviu sou muito baixinha e não achava nenhum que se ajustasse a mim... Comprei os de aluminio mesmo e foi a melhor coisa que fiz! Tudo bem que enquanto subia o alto do perdão no frio e na chuva percebi que precisava de dois umn só era terrivel... Comprei o segundo assim que cheguei em Puente de la rena, um é vermelho e outro todo colorido tem ponteiras diferentes então fazem barulhos diferentes os peregrinos ja sabiam que eu estava chegando pelo barulho...
Marli:
eu sai de SJPP sem cajado achei que não seria necessario, andei alguns dias sem, até que um dia ganhei o meu de aveleira, foi nas proximidades do logo depois Logronho.
Foi mto util me acostumei tanto com ele, que já fazia parte de mim, se tornou meu companheiro, pois eu fui só, não dei mais um passo sem ele...Chegando em Compostela fui até Finesterre, onde queimei minhas roupas e como manda a tradição
joguei meu cajado no mar, com ele deixei mtas coisas, e hoje ele faz parte das lembranças do caminho.... eternas e boas lembraças.
Σουζανα Πακουετ:
Meu cajado foi um bastao de caminhada que ganhei de um casal de amigos que fizeram o Caminho. Aliás, eu conheci este casal pelo blog dela, entrei em contacto e eu os considero os meus "padrinhos" do Caminho.
O bastao e os cajados ajudam MUITO. Sao a terceira perna. Te ajudam na subida, realmente você transfere alguma parte do peso (ou do esforço) pra ele e isso te ajuda a caminhar. E na reta te ajudam a manter o ritmo e a ir mais rápido quando você quer. Sao um impulso extra.
O meu foi super útil. Cheguei no albergue de Monte do Gozo e o diminuí para guardá-lo. No dia seguinte, de manha, quando faríamos os ultimos 5 Km pra chegar em Santiago, fui montar o bastao e a ultima parte simplesmente nao funcionava. Eu girava pra um lado, esperando o click, e pro outro, e nada. Eu olhei pra ele com um sorriso. Ele já tinha sido usado por estes amigos antes. Entao eu acho que ele sabia que nao seria mais muito útil nos ultimos quilometros, eu poderia chegar sem ele. E ele morreu....esperou o momento certo para deixar de funcionar. Eu o deixei no albergue e saí perplexa, pensando nisso. Meu bastao funcionou maravilhosamente 195 km. Os últimos 5...ele me deixou fazer sem a sua ajuda. De arrepiar...
Joana Darc:
Comprei em Saint Jean Pied de Port, por 7 euros.
Eduardo:
Fui para o caminho, com aquela frase na cabeça ''...o cajado é que escolhe vc..'',
Qdo saí de StJean, e um pouco antes de começar a 'escalar' os Pirineus, lá estava ele.... um galho de arvore de 1,5m... cortado com uma faca pequena (aparentava), ainda verde e de aparencia frágil.
Ele estava de pé, encostado numa cerca de arame farpado, às margens da estrada.
Foi meu grande companheiro, e apesar da aparencia fragil, me ajudou muito, mas muito mesmo...acho que nao conseguiria chegar a roncesvales sem ele.
No caminho, fui surpreendido pelo Pablito, oferecendo um cajado para mim e minha companheira.
Aceitei o presente, com uma unica condição: Que ele aceitasse o meu cajado (simples porém mágico e cheio de simbolismo), de presente.
Ele aceitou, e hoje em casa eu tenho como um troféu o cajado que o Pablito me deu.
Jorge:
O meu cajado me achou no caminho do sol em 2005. o galho tava la encostadinho em uma cerca pedindo por um companheiro...descasquei lixei, pus a cordinha, passei oleo de peroba e ja tem mais de 1500 km de mundo (e centenas de fotos) comigo...
Postado por Fábio Esteves às 4:12 PM 2 comentários
5 de outubro de 2009
Saudade
Deu saudade de escrever no blog, e vou voltar falando disso, saudade. O que é saudade? O que significa sentir saudade? Até onde é gostoso sentir saudade? Afinal, ela é boa ou ruim?
Pois é, todo mundo sabe que sentir saudade é bom, afinal, significa que estamos sentindo falta (ou muita falta) de pessoas ou lugares que nos fizeram bem. Nunca vi alguém sentir saudade de algo que o fez mal. Mas ai alguém aparece e diz: “Aahh eu já vi pessoa sentir saudade do marido que não prestava” ou se não “já vi amigo meu sentir saudades das amizades que ele tinha, aquelas amizades que não leva a lugar algum sabe?”, talvez até “Fulano sente falta daquele lugar que não tinha nada pra fazer!”. Poxa, perai! Se sente saudade é porque pelo menos em algum momento (mesmo que seja ínfimo) o “objeto de saudade”, por assim dizer, fez muito bem aquela pessoa. Em algum momento o marido cretino foi bom para ela, os amigos sem futuro e responsabilidades o fizeram sorrir como nunca e o lugar que para muitos era chato para alguém transmitia paz.
Isso de sentir saudade só do que foi “perfeitamente bom” é balela, e todos sabem. Quem é que nunca sentiu saudade de uma pessoa que odiamos (sim, sentir saudade odiando é extremamente possível!)?
Mas as minhas indagações principais são: Até que ponto a saudade é saudável? Até onde ela afeta o nosso comportamento?
Ontem me peguei conversando com uma pessoa muito próxima a mim, e senti um profundo medo em sua voz ao relatar que estava com receio de ir morar longe de mim e acontecer o que aconteceu com ela e sua família (A família em um canto e ela em outro). Ou seja, com o tempo o relacionamento esfriar, o carinho sumir, a relação afetiva mudar completamente e ficar apenas a consideração. Medo de acontecer o mesmo que acontece quando ela olha a foto da avó dela; sente saudade, sente falta, mas algo “ficou pelo caminho” e não é mais a mesma coisa. E ela ficou muito mal porque isto pode vir a acontecer algum dia comigo. A fez tão mal que ela foi dormir com lágrimas nos olhos e medo cravado em seu peito.
Pergunto-me então, a saudade estaria diretamente ligado ao corpo físico? Quantas vezes nos flagramos ao lado das pessoas e sentimos falta, saudade mesmo, de quem ela era? E outra, compensa ter medo de uma saudade que ainda está por vir? Não estaríamos sendo seres sem coragem para encarar os obstáculos e alcançar a superação?
Pois é, vocês devem ter percebidos que o texto não tem foco principal. Apenas uma ampla incógnita: Saudade, como nos toca? Reflitam sobre isso...
Um recado às pessoas que ficam paradas no tempo (de medo ou por uma incapacidade “desconhecida” de seguir em frente), a saudade é boa quando chega a nós e nos faz abrir um belo sorriso, e se lagrimas descem, são aquelas de alegria. Portanto se ocorre algo contrario a isso, se a saudade ou até mesmo o medo de um dia vir a ter esta saudade, toca a pessoa e esta chora em desespero ou se não cai em melancolia e lamentação, é porque algo esta errado. Talvez ai, saudade esteja se mesclando à mágoa. Pior ainda é quando tudo isto se junta e a saudade (conseqüente de algo passado) acaba por atrapalhar o seu presente, a sua vida aqui e agora.
Ora, tentemos guardar apenas as saudades boas, aquelas que nos fazem sorrir. A saudade ruim*, deixemos de lado, e vamos seguir em frente de cabeça erguida para que no futuro possamos ter saudade de coisas boas que podemos fazer agora no presente.
Vou ficando por aqui, porque este texto já está parecendo auto-ajuda e ficando com cara de Lya Luft, urgh!
*Para mim, “saudade ruim” é totalmente diferente de mágoa. Se alguém discordar ou não entender o meu ponto de vista, é só perguntar, quem sabe eu consiga explicar...
Postado por Fábio Esteves às 11:01 AM 1 comentários
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24 de agosto de 2009
Uma linda descoberta
Hoje eu descobri um lindo poema e gostaria de compartilhar com vocês:
Se - Hermógenes
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.
Recomendo também que assistam este vídeo, onde o próprio Hermógenes recita a poesia "Se":
Postado por Fábio Esteves às 1:35 PM 1 comentários
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